sexta-feira, julho 20, 2007
Partem sem mim
João Pedro era fã de Björk. Talvez porque fosse produto da cultura imediatista, talvez porque gostasse de gemidos. Ele era brasileiro e totalmente influenciado por cultura inglesa. "Eu gosto da pronúncia", era o que ele sempre indagava. Alanis Morissete, The doors, Pearl Jam, The killers, The cranberries, um pouco de Jimi Hendrix e resquícios de Woodstock, passando por Janis Joplin e no Woman no cry.
O que ele não entendia, ao auge de seus 35 anos, era como seus companheiros de guitarra se tornaram tão fãs da revista Caros Amigos. Eles, que se esguelavam para dar sangue ao rock morto dos anos 90, agora só ouviam MPB. Eles que riam de Vinicius de Moraes, agora eram freqüentadores de shows no Canecão, conhecendo todas as marchinhas de Ipanema, bairro que antes desprezavam.
João Pedro só ouvia Zeca Baleiro e O Rappa. Ele gostava das letras, eram muito parecidas com sua visão de mundo. Às vezes ele achava que tinha complexo de Peter Pan, por não compreender como as pessoas mudavam tão drasticamente.
João Pedro herdou todos os cds de seus velhos amigos. Até o primeiro single do Nirvana ele recebeu. Enquanto o rapaz ficava em casa, repleto de sons distorcidos de guitarra e letras adolescentes que exploravam um grito de liberdade, seus velhos companheiros grunges se deliciavam sentados ao som de Partimpim. Ele queria liberdade para dentro da cabeça, seus amigos bebiam água a 8 reais.
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