terça-feira, julho 28, 2009

Cebolas roxas

Havia no meio da bagunça da cozinha um pequeno rádio de corda que tocava uma melodia vitoriana, misturada com sons roquianos e vocal soprano.

Bem ao lado da geladeira, havia uma mulher com um chapéu preto. Ela tirava suas cutículas com o pedaço de unha quebrada que tinha encontrado debaixo da pia, misturado com cebolas roxas. Ela não tinha alho porque poderia ser vampira. Poderia ser lobisomem. Poderia ter mau hálito. Uma coisa certa era que ela tinha um coração de vidro quebrado e colado com cola e purpurina.

De vez em quando ela ajeitava o chapéu e sorria. De vez em quando ela também dava corda no rádio e lixava os pelinhos soltos no canto das unhas.

Saía à noite e dormia de dia, enrolada em panos de prato. Uns dizem que ela inventou as malas com rodinhas, outros que ela criara monstros míticos para crianças surdas. A outra coisa certa era que ela também adorava passar cola nos dedos para ir puxando lentamente enquanto suas unhas cresciam e suas cutículas aumentavam dia após dia.

Ela esperava ansiosamente a estréia de Alice no país das maravilhas, de Tim Burton.



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sábado, julho 11, 2009

Principalmente na frialdade

Ela queria muito ser puta só para não ter que sentir frio nas pernas de noite.



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terça-feira, julho 07, 2009

Saindo do The Human para o papel!




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quarta-feira, julho 01, 2009

A greta

Havia uma rachadura na coluna que sustentava a casa. Era uma trinca amarelo ovo, impossível de passar despercebida. Mesmo assim todos corriam alegres pela habitação nova sem darem conta da greta. Uiaká não. Ele estava parado em frente, alisando a tinta trincada, tentando enfiar o dedo lá. Sentiu uma incrédula corrente de ar e depois um click.

Muitos dizem que curiosidade quer dizer raridade, outros discrição. Uiaká enfiou mais dois dedos e girou uma peça para ouvir um segundo click. Esperou. Nada. Resolveu enfiar um terceiro dedo para dar mais sustentabilidade. Esperou. Nada. Colocou a mão inteira e com toda a força manual do mundo, com direito a gotas de suor, rodou rapidamente para ouvir uma contínua sucessão de clicks.

Esperou. Nada. Retirou a mão. A trinca amarelo ovo sorria. Dois minutos depois, o chuveiro estourou e o banheiro foi inundado.



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