terça-feira, julho 28, 2009
Cebolas roxas
Havia no meio da bagunça da cozinha um pequeno rádio de corda que tocava uma melodia vitoriana, misturada com sons roquianos e vocal soprano.
Bem ao lado da geladeira, havia uma mulher com um chapéu preto. Ela tirava suas cutículas com o pedaço de unha quebrada que tinha encontrado debaixo da pia, misturado com cebolas roxas. Ela não tinha alho porque poderia ser vampira. Poderia ser lobisomem. Poderia ter mau hálito. Uma coisa certa era que ela tinha um coração de vidro quebrado e colado com cola e purpurina.
De vez em quando ela ajeitava o chapéu e sorria. De vez em quando ela também dava corda no rádio e lixava os pelinhos soltos no canto das unhas.
Saía à noite e dormia de dia, enrolada em panos de prato. Uns dizem que ela inventou as malas com rodinhas, outros que ela criara monstros míticos para crianças surdas. A outra coisa certa era que ela também adorava passar cola nos dedos para ir puxando lentamente enquanto suas unhas cresciam e suas cutículas aumentavam dia após dia.
Ela esperava ansiosamente a estréia de Alice no país das maravilhas, de Tim Burton.
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