sexta-feira, novembro 28, 2008

Red Ramshorn Snail

# Come out! Come out! I know who you are!

Natalie Yoseal was surrounded by ancient stones whose top surfaces were covered by salt. Salty is the symbol of purity and sometimes a way to move a way bad spirits. She didn’t realize that all the salt that came from the basement was an option that her grandma has chosen to keep her bad spirits away. And that the place she had chosen to do the ritual was a hole one. Just like the basement.

# Come out! Come out! You’re freaking me out!

She was a little girl wearing a red dress, polyester maybe. A girl who was cleaning all the stones. All the salt down.

# Tell me something about you that we don’t know yet.

Kids from the neighborhood in that decade were suspicious of practicing magic. Good or bad, we don’t know. But tough magic. The one that makes your brain goes in an overdriving. Natalie Yoseal was poking the leaves behind the biggest stone.

# À bout de soufflé.

The noise was not loud. It was just like the noise that we don’t listen when a red ramshorn snail moves itself from one side to the other. Slowly. If her grandma was alive, she would scream and say Stop it right now. But nothing or anyone has ever screamed in that place.

# Gross!

It was when she saw it. It was unpleasant and disgusting, but pretty efficient. We don’t know why kids used to do that. Maybe tedium. Maybe curiosity. Maybe stupidity.

# Do you have problems with calling someone up? Hey, look at me! I’m waiting for you for so many minutes! You can not take so long.

It was just a fling. When her eyes met the creature she was sure that she did the right thing. Maybe stupidity has this effect upon people. Especially the naughty ones.

# Ok then. Do I have a wish to come true?

The creature moved from one side to the other. Natalie smiled. It was the last human movement. The creature strangled her. Slowly. Her wish would come true, yeah, but she wouldn’t be able to see it. She had called a shape shifter. Now he would be able to walk away using her human skin. Not gross anymore nor unpleasant, but a pretty young corpse wearing a gorgeous red dress. A freedom spirit. A spot in the multitude.



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quinta-feira, novembro 20, 2008

Papa don't preach

No dia mundial do banheiro, Liana Soares estava catando limo entre os vãos dos azulejos com palito de dentes. Fazia pequenos movimentos quando o botijão de gás do salão de beleza debaixo explodiu e arrancou suas unhas. Sangrando, descabelada e sorridente, saiu do banheiro aliviada por ter desmarcado sua manicure. Economizaria 15 reais pro show da Madonna.



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sexta-feira, novembro 07, 2008

A ceia

A mãe tinha morrido no Natal. Saponáceo em pó espalhado pela pia de mármore. Esbranquiçada com manchas vermelhas, na família há 3 gerações. Suas mãos enrugavam. O sulfonato de sódio passava pelos poros e escorregava diretamente sobre a superfície a ser limpa. Se a mãe estivesse viva, Lyra estaria conectada com o mundo? O óxido ferroso e o óxido férrico responderam pulsando. Seu sangue era feito de ferrugem, como qualquer outro. Plaquetas, células brancas, hemácias.

Perfume de pinho pairou pelo recinto. Inspirou, expirou. Movimentação pesada, como em dia nublado. Treinou o ouvido percebendo as leves batidinhas na porta. Porta de madeira, pesada, maciça. Retirou a mão da bucha limpatória e a secou em um pano de prato com calendário anual. Passou pela mesa de vidro e derrubou seu Livro da Sorte. Pegou o pequeno manual adivinhatório. “A CEIA: De onde pouco espera, vai chegar uma surpresa. Depois de um jantar escasso, uma farta sobremesa”. Ajeitou as sobrancelhas com a ponta dos dedos, odiava encontrar pessoas com pêlos desengonçados. Abriu a porta e saudou a figura parada, mostrando seus dentes brancos, polidos por um dentista turco exilado.

# Oi.
# Oi. – respondido como reflexo.

Lyra viu que ele trouxera mais uma figura. Esguia, top model famosa se não fosse pela pele pintada de manchas arroxeadas.

# Ela vai observar?
# Novata – ele respondeu.

Lyra sorriu. Seu dentista turco exilado fizera um bom trabalho, porque a top model arroxeada sorriu de volta. Ele também sorriu, soltando um arquejo sincronizado com o movimento de sua mão que expunha o frasco translúcido.

# Você já quer a sobremesa, Diogo? – Lyra perguntou.
# Não morro de diabetes, com certeza. – ele respondeu.

Ela sorriu. Mostrou o sofá para a top model que sentou-se. Foi até a cozinha e tirou de cima da pia que já tinha petrificado o pó, uma agulha. Cheirava a...

# Pinho? – a top model perguntou.
# Tira limos. – Lyra respondeu.

Diogo abriu o frasco. Ela furou o dedo anelar, mostrando sua ferrugem. A top model cedeu o indicador e Diogo abriu uma fresta de seu polegar. A substância sanguínea misturou-se rapidamente dentro do frasco. Borbulhou, espalhou seu cheiro pela sala. Tornou-se violeta, a cor da cura.

# Ela é uma híbrida – Diogo afirmou, olhando para Lyra.

E Lyra sorriu mais uma vez. Farejou o corpo da top model que piscava sem entender nada.

# Sobre-humanos – ela sorriu para Diogo.

Ambos pegaram o pulso roxo da top model. A veia pulsava. Sangue roxo, nobre, curador. Ela sorriu como sua mãe sorrira antes do Natal. Aí Diogo pressionou o pulso com manchas roxas e ela sugou todo o conteúdo intravenoso.



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