domingo, setembro 26, 2010

A menina do olho azul

Quando a menina do olho azul abriu a porta de seu Fusca, ela deu uma risadinha de canto de boca. Enquanto todos diziam que ela era natural ela celebrava. Mentir era divertido. Assim como comer amendoim com cobertura de caramelo.

- Traga uma nova dose de bebida transparente, ela dizia.

Enquanto todos serviam a estrela, ela inventava novas palavras criadas por um mundo linguístico que aceitava qualquer tipo de formação vocabular.

Ela inventou a palavra WEINBOUF. E passou a dizer que "de agora em diante só WEINBOUF poderia fazê-la dormir com estranhos".

Anagramas e até um jogo infantil foram criados para ver se alguém adivinhava o significado.



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quinta-feira, setembro 23, 2010

O homem encantado

Ele era um homem com turbante azul e uma face severa. Dessas que se fecham quando se olha mais profundamente. Tinha um risco perto da sobrancelha falhada. Não sabia de onde vinha a marca. Uns dizem que sua memória havia sido arrancada por militares, outros que ele fingia esquecer para ter um ar de mistério em volta de seu passado. Ensinou algumas técnicas de controle de charme pessoal para uns. E de esnobice para outros. O que todos sabiam era que era um homem encantado. Desses que parecem flutuar quando passam pela calçada. Desses que não fumam, mas estão sempre com um cigarro por perto. As pessoas se aglomeravam perto dele. Não o tipo de multidão sufocante, mas um tipo de reunião de arte em prol da sedução do mundo. As pessoas ficavam mais bonitas, mais cinematográficas, mais musicais. Uns chegavam a dizer que era poder de demônios, outros de que ele havia morado muito tempo nos Bálcãs e que de lá trouxe sabedoria primitiva.

Ele era um homem com turbante azul e uma face severa. Quando perguntavam de onde ele era, ele sempre dizia: 'Sou do mundo.' Teve gente que até fez música com isso. Depois ele desapareceu por um tempo como quem pega sapato errado por engano. Quando voltou as pessoas não o reconheceram. Não tinha mais turbante nem cara severa. Tinha dois olhos azuis berrantes que piscavam em câmera lenta toda vez que alguém dizia Oi. O mundo enlouqueceu gozando sua figura. Ele era um homem encantado, não havia dúvida.



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segunda-feira, setembro 20, 2010

¨

Cortou a cabeça como quem corta cenouras. Queria a vida leve, mas só sabia passar por ela a machadadas.

Cortou o pé como quem corta agrião. Queria ser cantor, mas só sabia melodias de peão.

Cortou o joelho como quem corta nuggets em prato raso. Queria ter os dentes perfeitos, mas não escovava os dentes 3 vezes por dia.

Cortou a orelha como quem corta ovo cozido para salada. Queria deitar em uma cama fofa e abraçar o travesseiro, mas havia infiltrações que pingavam sobre o colchão.

Humano com sonhos, pensamentos imperfeitos e uma dor nas costas que se chamava peso do mundo.

A cada morte que encaixava em sua existência uma descoberta interna surgia. Ele matava pra se encontrar. Assassinos também tinham corações doídos.



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domingo, setembro 19, 2010

Bla

# Hgsydgsehdhsfghsd bla bla bla hduegfgshdapwqoiroieudshfj bla bla bla hsduehdsgfhdgsfhdg bla bla bla hfjysefuhsjdwoeiowurshdfbx bla bla bla hsduifhsufhdsgfhdgh e foi assim.
# Oi? Desculpe, estou com tanta dor de cabeça que não consigo me concentrar. Repete.
# Toma uma aspirina, vai deitar, por que cê tá aqui então?
# Quero comprovar a teoria de que prestar atenção é um ato de equilíbrio.
# Que masoquismo.
# É, meu lado negro da Força.



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quinta-feira, setembro 16, 2010

O mundo sobre Ella

As coisas do mundo vão atingi-la com tanta força que rodopiar será só um giro de 360º.



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terça-feira, setembro 14, 2010

O tédio via msn

1:-Ei.
2:-Hey.
1:-Ey.
2:-Hei.
1:-Eih.
2:-Ok, cansei.



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segunda-feira, setembro 13, 2010

Ele(a)

Ele tinha cheiro de colônia e pelinho encravado.
Ela tinha cheiro de cutícula levantada e detergente.
Estavam debaixo da mangueira quando os raios solares vieram quicando em melodias frutíferas.
Ele levantou a cabeça.
Ela levantou as sobrancelhas.
Os raios rodopiaram e floresceram como nave alienígena.
Debaixo da mangueira, um mosquito foi quase morto. Deu 3 suspiros, caiu na bermuda dele e depois saiu voando. Tomavam energéticos. Ficavam ligados dançando trance.
Ele tinha uma palavra que havia esquecido em algum canto da memória.
Ela tinha coceira nos dentes.



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domingo, setembro 12, 2010

O senhor da Espada Justiceira

JAGA: - Eu não acredito em Diabo.
CHEETARA: - Eu não acredito em campanhas políticas.
JAGA: - Eu não acredito ... nossa, eu acredito em tudo.



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terça-feira, setembro 07, 2010

3883ª Guerra

20 de maio de 2017. Quando as tropas militares avançaram sobre o morro, eu estava em pé catando limões. Eles correram pelo verde, botando fogo, gritando contra o vento, atirando no ar. Minha primeira reação não foi me esconder ou ter medo, mas foi apertar um limão e ver escorrer por minhas articulações o azedo da fruta.

Pelo líquido, iam também minhas reflexões. A guerra havia começado por causa de luz. De energia. De concepções de mundo. De feridas tristes transformadas em raiva. De palavras doídas e de olhos embaçados. A guerra havia começado por falta de preenchimento, porque as pessoas tinham tudo e ainda se sentiam cansadas. Botaram culpa nos agrotóxicos, na lua avermelhada poluída, nas árvores que poderiam ressecar. Na autossustentabilidade.

Quando as tropas militares passaram por mim, abri um buraco em minha cabeça. Vi os celtas, cestas de frutas trabalhadas com carinho, alquimistas, grutas e paredes pintadas de dedos invisíveis que compartilhavam equilíbrio. E vi que há tempos tudo estava morto, solto em lembranças caídas por uma era de desconforto.

Os soldados esbarraram em mim e não pediram desculpas. Passaram aos berros, imbuídos de um instinto que eu ainda não conhecia. Pisaram nos limões e dispararam contra um pé de laranja mais à frente. Eles não me viam. Não se viam mais. Os inimigos eram as flores, as gramas, as colheitas. Elas atacavam, eles revidavam.

E eu estava ali, sem mais existir.



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quarta-feira, setembro 01, 2010

O assassinato da rua Mattos

Quando a porta rangeu, Rodolfo chegou pro cantinho do sofá. Seu assassino entrou com sua machadinha e usou a pontinha do móvel da sala para sentar.

ASSASSINO: # Temos que conversar.
RODOLFO: # Eu sei.
ASSASSINO: # Assim você me atrapalha, cara.
RODOLFO: # O que eu faço?

O assassino cochichou 1/3 de palavras no ouvido dele que balançava a cabeça como que em forma de gratidão.

O assassino ofereceu um furador de gelo para ele. Rodolfo pegou o objeto e sem fechar os olhos mirou o contorno do coração. Furou como em pontilhado. O coração foi desenroscado enquanto Rodolfo assobiava.

RODOLFO: # Rex!

Um cãozinho de jardim apareceu. Foi direto ao coração e o lambeu. Pálido, mas pulsando, Rodolfo devolveu o órgão para dentro de seu corpo.

ASSASSINO: # Agora sim, podemos proceder.

Com a machadinha, o assassino acertou o cérebro(que ficou em frangalhos), mas o coração ainda batia.



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