segunda-feira, março 23, 2009

Venn Diagram

23 de março de 2017. Ela era branca e tinha as unhas cor de pêssego. Os dedos dos pés brilhavam com a cor cintilante. Nessa manhã de março uma mensagem em seu laptop branco piscava. “Vou aí, me bata, bebemos coca-cola e eu volto pra casa”. Era aquele que tinha fixação por seus pés. Desde que eles foram expostos em uma página de relacionamentos e entrado para capa de uma comunidade que se diferenciava por possuir ao fundo a trilha sonora de Lisa Hannigan, ela recebia mensagens de dor sensual. Chamava esses recados de dor sensual porque ela sentia câimbra nos lábios quando soltava risinhos de lado ao recebê-los e seus poros eriçavam como os de gato persa quando vê um rato contaminado. Sim, porque gatos de 2017 reconheciam ratos apodrecidos.

Leiloou os pés. Sim, bateria em alguém e deixaria que seu dedão fosse levemente chupado se recebesse algo que realmente a excitasse. Ganhou massageador, gel aromático, produto de Siri Lanka, personal trainner, livros sobre a arte, mp5s com músicas inspiradoras, comidas afrodisíacas, perfumes invisíveis e gadgets sexuais. Dispensou todos. Mas às 07h35min da manhã de 23 de março de 2017 acordou sobre seu pano vermelho aveludado preferido. O dedinho do canto bateu no embrulho na ponta da cama. Deu uma leve descascada no esmalte Risqué.

Antes de se levantar, esticou os braços e apertou o botão do laptop com seu pé de osso arqueado. Enquanto a máquina automaticamente entrava em sua comunidade podólotra e Venn Diagram preenchia o recinto com suas notas musicais (propositalmente como efeito de trilha sonora), sentiu uma leve vibração no dedo anelar. Vinha do papel pardo. Desembrulhou o presente com a parte que sustentava o resto de seu corpo.

Era um quadro, pincelado com tonalidades esverdeadas e brancas. Encostou-o na parede. Sentiu uma pontada na beirada do estômago. Deitou ao chão e esticou suas pernas em direção à tela. Sentiu quando o toque com a tinta pinicou a pele. Cruzou as pernas no ar como quem abre e fecha tesouras invisíveis. Ao encostar na tela, viu que as cores se mexiam. Adentravam suas unhas cor de pêssego. Era uma sensação de cócegas misturadas com leves choques de estimulação russa.

Esticou o braço esquerdo e mesmo sendo destra, digitou sim sobre uma mensagem. Esperou só 23 minutos por sua coca-cola.



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